Sou o cárcere que te priva
Que te liberta
Que te magoa
Por motivo qualquer,
Em instante qualquer...
Sou um fragmento de tudo
Que te traz o confuso querer,
Que te dá prazer...
Sou um pedaço do mundo,
Que gosta do cheiro,
Que gosta do corpo molhado do ser...
Sou um apêndice insano, egoísta...
Um detalhe que te destrói um pouco,
Que te faz chorar,
Que te faz pensar,
Que te faz amar...
Sou para você um pouco de tudo,
Um pouco de nada.
Um corpo,
Um vulto,
Um desejo,
Um motivo de agonia,
Um motivo de satisfação
Sou o que sou
E ainda assim você me ama
Desabrocha e chama
Sou sua insana razão...
Não desista desse ponto
Que bate aqui e bate aí...
Que pulsa como o coração.
Literalmente sinto que sou
Seu ponto de interrogação...